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Vertigem posicional paroxística benigna: guia

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Vertigem é a sensação ilusória de que você ou o ambiente está girando, geralmente causada por alterações no sistema vestibular do ouvido interno ou, menos frequentemente, no cérebro. Para entender vertigem, causas e tratamento, é essencial observar a duração das crises, os gatilhos e sintomas associados, pois esses dados orientam a investigação e a terapia.

Na maioria dos casos, a vertigem tem origem periférica e pode melhorar com manobras específicas, reabilitação vestibular ou tratamento da doença desencadeante. Porém, vertigem súbita acompanhada de dificuldade para falar, fraqueza, visão dupla ou incapacidade para caminhar pode indicar uma emergência neurológica.

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Dr. Bruno Funchal

Neurologia

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Este artigo explica o que a ciência médica atual reconhece sobre o problema, o que esperar da consulta e quais condutas são geralmente consideradas seguras. O conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.

O que é vertigem e como ela se diferencia da tontura?

Vertigem é um tipo específico de tontura caracterizado por movimento ilusório, como giro, inclinação ou deslocamento do corpo. Já a tontura pode significar instabilidade, sensação de desmaio, cabeça vazia ou dificuldade de concentração, sem necessariamente haver rotação.

vertigem causas e tratamento

O equilíbrio depende da integração entre:

  • labirinto, localizado no ouvido interno;
  • visão;
  • sensibilidade dos músculos e articulações;
  • tronco cerebral e cerebelo.

Quando essas informações entram em conflito, surge uma sensação de movimento, frequentemente acompanhada de náusea, vômito, suor frio e desequilíbrio. O nistagmo, um movimento involuntário dos olhos, pode ser observado durante o exame clínico.

Quais são as principais causas de vertigem e tratamento indicado?

A causa mais frequente é a vertigem posicional paroxística benigna, conhecida pela sigla VPPB. Ela ocorre quando pequenos cristais do ouvido interno se deslocam e estimulam de modo inadequado os sensores de movimento. As crises são breves e aparecem ao virar na cama, deitar, levantar ou olhar para cima.

Outras causas importantes incluem:

  • Neurite vestibular: inflamação do nervo vestibular, com vertigem intensa e contínua por horas ou dias, geralmente sem perda auditiva.
  • Labirintite: termo usado de forma variada, mas que pode envolver inflamação do ouvido interno, especialmente quando há perda auditiva associada.
  • Doença de Ménière: episódios recorrentes de vertigem com perda auditiva flutuante, pressão no ouvido e zumbido.
  • Migrânea vestibular: vertigem relacionada à enxaqueca, podendo ocorrer mesmo sem dor de cabeça.
  • Medicamentos, infecções, traumatismos e alterações cardiovasculares: podem causar tontura ou desequilíbrio, embora nem sempre provoquem vertigem verdadeira.
  • Acidente vascular cerebral: é menos comum, mas deve ser considerado quando o início é súbito ou existem sinais neurológicos.

Assim, vertigem, causas e tratamento não podem ser definidos apenas pelo nome do sintoma. A terapia depende da origem identificada.

Quando a vertigem exige atendimento urgente?

Procure um serviço de emergência se a vertigem surgir de forma súbita e intensa, especialmente quando houver qualquer um dos seguintes sinais:

  • fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar ou compreender;
  • visão dupla ou perda visual;
  • desmaio, confusão ou dor de cabeça muito intensa e incomum;
  • incapacidade nova para ficar em pé ou caminhar;
  • perda auditiva súbita;
  • dor no peito, palpitações importantes ou falta de ar.

Esses sintomas não confirmam um AVC, mas exigem avaliação rápida. Não é seguro dirigir durante uma crise intensa. Sente-se ou deite-se em local protegido, evite quedas e peça ajuda para chegar ao atendimento.

Como é feito o diagnóstico de vertigem?

O diagnóstico é principalmente clínico. O profissional pergunta quando as crises começaram, quanto duram, quais movimentos as provocam e se há perda auditiva, zumbido, dor de cabeça ou sintomas neurológicos.

Durante a consulta, podem ser avaliados:

  • movimentos dos olhos e presença de nistagmo;
  • marcha, coordenação e equilíbrio;
  • audição e função dos nervos cranianos;
  • pressão arterial e frequência cardíaca;
  • resposta a mudanças de posição da cabeça.

Na suspeita de VPPB, testes posicionais podem reproduzir a crise e orientar uma manobra terapêutica. Exames de imagem não são necessários para todos os pacientes. Ressonância magnética, tomografia, exames auditivos ou testes vestibulares são escolhidos conforme a história e os achados do exame.

Um detalhe importante é a duração: crises de segundos desencadeadas por posição sugerem VPPB; sintomas por minutos ou horas podem ocorrer em migrânea vestibular ou doença de Ménière; vertigem contínua por dias exige avaliação cuidadosa para diferenciar neurite vestibular de causas centrais.

Como funciona o tratamento da vertigem?

O tratamento de vertigem consiste em corrigir a causa, aliviar os sintomas com segurança e recuperar o equilíbrio. As principais abordagens baseadas em evidências são:

Manobras de reposicionamento

Na VPPB, manobras realizadas por profissional treinado reposicionam os cristais do ouvido interno. Muitas pessoas melhoram após uma ou algumas sessões, mas podem precisar de repetição ou orientação para exercícios domiciliares. Fazer a técnica sem diagnóstico pode ser inadequado, sobretudo em pessoas com problemas importantes no pescoço ou na coluna.

Reabilitação vestibular

É um programa de exercícios individualizado para melhorar o olhar, a marcha, a adaptação do cérebro e a estabilidade postural. É útil em várias causas de disfunção vestibular e pode reduzir o risco de quedas. A progressão deve ser orientada por fisioterapeuta ou profissional habilitado.

Medicamentos

Antieméticos e supressores vestibulares podem ser usados por curto período em crises intensas, conforme avaliação médica. O uso prolongado de supressores vestibulares pode atrasar a compensação cerebral em algumas doenças. Por isso, não é recomendável iniciar, interromper ou manter esses remédios por conta própria.

Tratamento da doença associada

Migrânea vestibular pode exigir medidas para controlar gatilhos e tratamento preventivo ou das crises. Na doença de Ménière, o especialista pode discutir redução de sal, controle de fatores associados e outras opções. Infecções, alterações medicamentosas e problemas neurológicos têm condutas específicas.

O que fazer durante uma crise e como prevenir quedas?

Durante a vertigem, permaneça sentado ou deitado, fixe o olhar em um ponto estável e mova a cabeça lentamente. Evite dirigir, subir escadas, operar máquinas e consumir álcool até recuperar a segurança.

Para reduzir riscos em casa:

  • mantenha corredores iluminados e livres de obstáculos;
  • use apoio no banheiro e evite tapetes soltos;
  • levante-se devagar, especialmente após ficar deitado;
  • informe ao médico todos os medicamentos em uso;
  • registre duração, gatilhos e sintomas de cada episódio.

Esse registro ajuda a distinguir vertigem posicional, crises espontâneas e sintomas relacionados à enxaqueca ou à audição.

FAQ: dúvidas frequentes sobre vertigem

Vertigem é sempre causada por um problema no labirinto?

Não. Muitas crises vêm do ouvido interno, mas migrânea, alterações neurológicas, medicamentos e problemas circulatórios também podem causar vertigem ou sintomas semelhantes. A avaliação clínica define a origem mais provável.

Vertigem tem cura?

Em muitos casos, sim, especialmente na VPPB, que costuma responder às manobras de reposicionamento. Outras condições podem ser controladas com tratamento contínuo e reabilitação, embora possam apresentar recorrências.

Posso fazer a manobra para vertigem em casa?

Alguns pacientes recebem orientação para fazê-la em casa após confirmação do diagnóstico. Sem avaliação, a manobra pode tratar a causa errada ou agravar dores e limitações cervicais. O ideal é receber instruções individualizadas.

Ansiedade causa vertigem?

A ansiedade pode provocar tontura, hiperventilação e piora da percepção do desequilíbrio, mas não deve ser presumida como causa antes de excluir problemas vestibulares, neurológicos e cardiovasculares quando houver sinais compatíveis.

Quando devo procurar um otorrinolaringologista ou neurologista?

Procure avaliação se as crises forem recorrentes, persistentes, incapacitantes, acompanhadas de perda auditiva, zumbido, dor de cabeça ou quedas. Sinais neurológicos súbitos exigem emergência, não uma consulta eletiva.

Conclusão: qual é o próximo passo?

Entender vertigem, causas e tratamento ajuda a reconhecer padrões, evitar quedas e buscar o cuidado correto. A maioria das causas pode ser investigada com história clínica e exame físico, mas sintomas súbitos ou neurológicos precisam de atendimento imediato.

Se a vertigem está se repetindo ou interferindo na rotina, marque uma avaliação com médico, que poderá indicar otorrinolaringologista, neurologista ou fisioterapeuta vestibular conforme o caso. A orientação individual é essencial para confirmar o diagnóstico e escolher a terapia mais segura.

Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação médica individual. Se você apresenta sintomas persistentes, consulte um profissional de saúde qualificado.

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Mais Sobre Nós

Dr. Bruno Funchal – Neurologia e Dor

Formou-se médico e Neurologista em uma das mais conceituadas e tradicionais instituições médicas do Brasil, a Escola Paulista de Medicina – UNIFESP.

Possui também Mestrado em Neurologia pela mesma instituição, com enfoque em Neurologia Vascular e Neurointensivismo.

Cursos de especialização:

• Pós-Graduado em Dor Intervencionista pelo Hospital Israelita Albert Einstein. São Paulo, BRA.

• Neuroreabilitação, 2018. Universidade de Harvard, EUA.

• Estimulação Magnética Transcraniana, 2018. Universidade de Harvard, EUA.